Penny Dreadful

Com uma premissa que tinha muito para não me agradar, preciso admitir que Penny Dreadful conseguiu me fisgar. Fico muito feliz em admitir que estava enganado. O problema é que ao ler sobre a proposta da série, que reune personagens fictícios de diferentes autores que engloba desde o Doutor Frankenstein, Dorian Gray, vampiros, exploradores, exorcismos e assassinos seriais… humm, não me cheirava bem. Logo lembrei do filme A Liga Extraordinária (2003), que reunia Allan Quatermain, o Dr. Jeckyll/Hyde, Tom Sawyer, Capitão Nemo, enfim, apesar de baseado em uma história de Alan Moore, na minha opinião, o filme foi bem sofrível. Felizmente, a série é uma grata surpresa.
A história
Londres, 1891. Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton), procura resgatar sua filha, Mina, sequestrada por vampiros. Para isso conta com ajuda de seu criado Sembene (Danny Sapani) e da médium Vanessa Ives (Eva Green), amiga de infância de sua filha. Uma missão difícil exige ajudantes com qualidades especiais, por isso, durante a série outros ajudantes vão sendo recrutados e agregados ao time, é o caso de Ethan Chandler (Josh Hartnett), um exímio atirador americano que se apresenta em um circo ao estilo Buffalo Bill e do Dr. Frankenstein, que ajuda nas autopsias dos vampiros. Juntos, eles tem a difícil missão de resgate de Mina da influência dos vampiros, enfrentando todo tipo de criatura sobrenatural. Em comum, os personagens tem a Londres vitoriana da última década do século 19, o cenário ideal para fisgar os aficionados pela onda steampunk.
Embora algumas cenas sejam, de fato, arrepiantes ou sangrentas, a série não chega muito assustadora. O apelo do show, porém, é o um clima da Londres vitoriana, dos tempos de Jack, o estripador, onde a tuberculose ainda era uma doença fatal e a atmosfera sombria e naturalmente fascinante, onde o perigo pode estar em cada beco escuro. Como a série é adulta, a trama pode incluir (e faz isso muito bem) romances mais tórridos, o que os produtores exploram na dose certa. Nesse caso, a escalação de atores com poder de sedução foi muito feliz, afinal Eva Green é uma das atrizes mais belas e sedutoras do momento.
Os principais protagonistas, Sir Malcolm e Vanessa também contribuem muito para o bom desempenho e desenrolar da história. A vida pregressa de ambos vai sendo explicada no decorrer da temporada e não cabe aqui dar spoilers sobre isso, mas vale a pena destacar as atuações de Timothy Dalton e Eva Green, ambos ótimos em seus papéis.
A trama é bem amarrada, integrando bem os demais personagens famosos como o Dr. Frankenstein, sua criatura e o Dr. Van Helsing. Até mesmo o personagen Ethan Chandler, incorporado claramente para agradar e atrair o público norte-americano, consegue entreter de forma interessante. A exceção, até o momento, fica por conta de Dorian Gray (Reeve Carney), que parece estar deslocado na trama, porém não chega a incomodar.
Enfim, se você gosta de séries de mistério, vale a pena conferir Penny Dreadful, uma série criada por John Logan, reconhecido por roteiros de vários filmes excelentes como Gladiador, A Invenção de Hugo Cabret, Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet entre outros. A produção é binacional – Inglaterra/EUA, exibida nos EUA pela Showtime e no Brasil pela HBO2.
Curiosidade
Penny Dreadful é o nome dado a revistas em quadrinhos de terror feitas com o papel mais barato possível (pulp). Um penny, é a unidade de valor equivalente a centavos britânicos, que era o preço da publicação. Era chamado de dreadful devido ao conteúdo assustador.
